sexta-feira, 10 de julho de 2009

Gotas

Senti algo escapar-me
Por entre os dedos.
A chuva era sem trégua,
Dia cinza!
Eu nada possuía.
Pasma,
Eu nada queria possuir.
A torrente arrastava
As folhas.
O som da água
Aquietava meu ser.
Esse algo não escapava
Eu o mandei embora.
Nada podia ser meu,
As gotas de chuva
Pediam atenção.
Eu não podia.
E a chuva agora fina
Parecia despedir-se
Deixando-me em abandono.
Escassas gotas
Escorriam
Em meu corpo
E eu
Não sabia mendigar
Por seu afeto.

2 comentários:

o campo dos girassois disse...

É no intervalo dos acontecimentos que escrevemos a biografia de nosso silêncio

Carol Araujo disse...

Sei que é algo mais no sentido emocional, mas, por um momento, pensei no movimento da natureza. É lindo assistir o espetáculo proporcionado pelo seu poder de transformação! Transforma paz em inquietude, assim como o contrário. E dentro de nós é assim, afinal também somos partes de seu produto.
Hoje acordei estranha e fiquei a me perguntar várias pq me sentia assim. E que sensação vazia e ao mesmo tempo incômoda. O "Dia cinza" estava fora, mas dentro de mim tb. E veio na mente este blog. Lógico! É o que me eleva. Mesmo que "A torrente" nos arraste, vamos lutar!
Um dia desses, tava no ônibus e pensei que há pessoas que tem medo de amar e evitam o amor a todo custo. E quando, finalmente, pensam em rever, simplemente é tarde demais. No entanto, não me referia a amor de casal, mas de qualquer pessoa pra outra. Elas pedem a atenção, elas nos abandonam, e mal sabemos pedir que não se vão.

Muita paz para todos nós.