quinta-feira, 10 de abril de 2014

Coletivo Inusitado

Na sua viagem no túnel do tempo a nossa personagem surgiu num ônibus diferenciado, pois havia mesas com cadeiras, algo semelhante a um trailer. Os passageiros eram poucos, além da nossa personagem estavam na viagem uma mulher com uma criança (de mais ou menos 2 anos de idade) e o prefeito da cidade, vestido com uma camisa azul.  

A criança estava com fome, então o veículo se deslocou até uma estrada deserta de filme norte-americano, onde era feita uma parada para que a mãe cozinhasse algo, logo a cena assemelhava-se a uma lanchonete dentro do ônibus.  Todos os passageiros sentiam-se agraciados em presenciar a preparação do alimento, uma receita de macarrão, que tinha um aspecto bonito e parecia delicioso.

Apesar da fome ao longo da viagem, nossa personagem sentia-se enternecida com a vivência daquele instante compartilhada com a mulher mãe, a criança e o prefeito simpático.


Os encontros inusitados trazem oportunidades de cenas únicas nas relações humanas. A nossa personagem se permitiu estar na cena com seus sentidos aguçados sem entender o tempo, o lugar apenas entregue.

sonho; comida; ônibus;

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Contradição do Sentir

Ela sempre fora adepta da vida saudável. Não sabia ao certo se era pelo adestramento de sua educação ou por preocupar-se com o seu bem estar. Naquela manhã estranhamente, sim estranha, pois ela não sabia fumar. Acendeu um cigarro sentindo seu estresse esvair-se no ar em sua sala de aula. Seus ouvintes não apareciam neste breve filme do sonhar, no entanto, ela os percebia. Ela cismou sobre aquele prazer, supostamente, prejudicial.

Na sua inconstância, as cenas se alternam e surpreendem.


Era a Chapada, lugar mágico de beleza inconfundível. Ela estava em um lago e olhou ao seu redor maravilhada com a paisagem. Quando sem esperar contemplou a mutação da paisagem na sua casa, em bosques, jardins, florestas com a predominância da cor verde da vida traduzida em felicidade. Sentia-se dentro de um sonho bom, e era. Percebeu-se mais uma vez, dentro do lago, onde de maneira mágica nadou (em vigília seu medo não permitiria tal intento), sim, ela nadou deslizando rápido nas águas tranquilas, com o único pensamento, este é um instante de paz.

sonhar; sentir; espanto;

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tum Tum

O coração trafega curioso entre sentimentos
Sem tornar incômoda a inconstância de abrigá-lo.
Reveste de prazer o resumo das lições acumuladas.
A alma serena está no embate constante com esta inquietação
A curiosidade balizadora é cega, ele sempre aventureiro não recusa, se entrega.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Cismando em divagações.

A rotina

Ela teve um dia difícil, cobranças no emprego, a casa para arrumar, alguns textos para ler, um corpo para dar vida e uma vida para dar sentido.

Seu olhar permanecia pousado em alguma cena de seu passado, talvez, de sua infância
Estava pensativa, faceira, nutrida de paz.

O semblante de mulher na janela da condução
Fazia franzir cenho da menina assustada escondida nos gestos firmes.

Não era um dia comum. Um sonho lhe perturbou por toda a noite.

Ela era crédula dada ao sobrenatural, então aguardou a fatalidade.

Entre letras, obrigações e gentilezas necessárias no convívio social

Mal pode entorpecer-se  do ocorrido

Precisou gravemente afundar no cotidiano.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PRESSÁGIO

Não havia nenhum problema
No entanto, a conversa parecia distorcida
O encanto esvaiu, ou Maia, decidiu a minha vez de estar na realidade
Logo percebi o desencanto com humor
Era chegado o tempo do grito de liberdade dos contos de fadas
O beijo noturno me deu o chão firme
Sem adeus, lembranças e despedidas
A vida segue em buscar de sabores.
Com tropeços cruzamos os caminhos
Sem apelos construímos relações
Com silêncios mudamos, desatamos os nós.
O que foi é dissipado
O desconhecido contido no amanhã, este sim me instiga a continuar.

sábado, 26 de outubro de 2013

O brilho que me prendeu

Presa no brilho do teu olhar
Tantas vezes apaixonada pelos gestos teus
Desejei sem dar conta do tempo
Perdi outonos e primaveras
Na tua centelha
Espelhos partiram-se
Paisagens mudaram suas cores
Presa no teu laço
Eu não quis liberdade
Encantada eu disse, sim
Percorri caminhos sinuosos
Presa no teu cheiro
Realizada no teu afago
Certa que era amor
A imaginação não perdoou a distração
Daquela tarde vazia.
E hoje,
Ah! Hoje eu me confesso presa no teu amor
Aguardo a finitude deste lago
Sem medo de amar.