ALMA DE FLOR

ROMPENDO AS ROCHAS COM A LEVEZA DA BRISA!

Solta ao Vento

Uma vida é pouco

para alinhar-me as normas e deveres


Uma vida foi-me dada para a grande prova,


ser feliz sem medidas


Um dia é pouco para tantas tarefas


um dia é o início da construção das relações do caminho escolhido


O tempo, controverso amigo, acelera a imaginação


impulsiona-me com altivez 


Sigo sem norte acreditando na sorte


errante e cismada


até o que o barro dissolva-se no suspiro do nada.

Partes do Todo

Compartilhamos

Como partilhamos

Partilhamos

Partimos

Estradas e divergências

Acasos

Infortúnios

De almas embriagadas

Apaixonados pela vida

Sempre e nunca seremos paz

Suspiros

Tensões

Procura insana de si

Estranhezas

Incompletude do outro

Reticências traduzidas

Não permitem ponto final.

Página em Branco

Lembro do primeiro encontro
meu olhar inquieto desejou o teu
minha boca sedenta precisou da tua
nossos corpos bailaram escrevendo o amor

Lembro de quando fostes meu porto
não tínhamos direção apenas paixão

Angústia era contar segundos longe de tua presença
Lembro...

Recordo...

Sinto o cheiro silencioso do sussurro
tantos planos
tantos mapas

Tuas palavras
Minha entrega

.....e a página em branco.

Reencontro


Olho para trás a fim de contemplar toda construção erguida com cada pedra lançada. Serena constato que permaneci de pé.

No término de mais um ciclo, avalio meu aprendizado, feliz agradeço ao tempo numa oração sem palavras. Eu sou a oração de doação para a vida, meu olhar sorriso e paz lhes pertence.

Continuo a dar graças ao que tantos chamam por distintos nomes Força, Energia, Sopro, Luz, Pai, Criador, Javé, Jeová, Alah, Oxalá, Divino Feminino, mas que aqui e agora chamo de Deus. Por todo aprendizado, pela construção diária de mim, pelos dias de inverno em que o sofrimento foi o meu balizador, pelos dias primaveris em que o sorriso surgiu espontâneo.

Dou graças aos meus muitos amores.
Dou graças por ter sido criança e por hoje ser mulher.
Dou graças à solidão e a delícia de ser eu.
Dou graças pela insistência contra a fadiga do físico e da alma que fraqueja, quando as forças parecem esgotadas. Bendita seja a teimosia de tentar algo mais!
Dou graças por sentir com mansidão, por celebrar com brilho nos olhos, por saber chorar e exibir a tristeza. Pois nisso não há grandeza ou humilhação. Alegria e tristeza são estados momentâneos, ocupantes do espaço que lhes permito, com o valor que eu lhes concedo em minha vida.
Dou graças por ter conhecido amorosidade nas pessoas, por não ter cedido diante da ira.
Dou graças ao rememorar as pedras, as flores principalmente as rosas, os sins e os nãos escutados.

Permito-me agraciar Narciso sem escravizar-me pelo lago. Busco a elasticidade do bambu que apenas enverga. Neste ponto da jornada onde a poeira do passado é levada pelo vento e a neblina do futuro nega a visão do que será, percebo o corte, no tão bem trabalhado véu de Maia. E o que isto significa? Não sei dizer, nem penso que devo saber, o viver pode vir em pequenas doses, não é possível determiná-lo.

A luz deste lindo dia celebra com a natureza o cumprimento de mais um ciclo, o fim e o início de uma etapa - a minha primavera. E por isso lhe sorrio parabenizando-me pelo símbolo deste número e porque só eu sei o quanto caminhei, só eu sei tudo que pude ver e sentir.

Dou graças à vida e ao indizível viver.

Rosangela Figueredo Dias
03 de junho de 2012.

A Tarde


O tempo se despiu de mim
A tarde banhou-me com raios dourados
Arrepiou a pele já bronzeada pelos ancestrais.
Oscilam os meus quereres
A brisa envolve-me mansamente
Ah! mais um gole de paz
Ao telefone ouvi: ainda te quero.
E eu?
Amei-me ainda mais.

Fio Solto


A displicência de um movimento puxou o fio do véu de maia. Permitiu assim que ficassem amostra alguns mistérios da vida.

Ainda assustado o sonho tagarelava com a consciência. Ela lhe dizia sobre a simplicidade da vida, do labor necessário para comer, vestir, amar; falava das lágrimas de alegria e de sofrimento, do nascer e do morrer.

E o sonho apenas a escutava, sentindo as cores de suas cenas diluírem-se nas palavras grafadas em cada fala da consciência.

Ele era doce e assim julgava tudo ao seu redor. Seu brilho nascia da inocência. Sua ignorância era o seu maior tesouro.

Após um longo silêncio disse ele: - De que vale a procura insana? -Por que nos fazem acreditar que tudo está distante, quer dizer, além. Além da vida, além do horizonte, além do proferido, do visto, do esperado? Sou eu a essência de Morfeu. Resignifico o arco-íris no céu sob o olhar descuidado dos sobreviventes. Sou eu que alimento a esperança nos corações.

A consciência respondeu compassiva:
- Sim, doce amigo é por isso mesmo que você não sabe, por estar sempre distante em seu próprio mundo. A sua credulidade inibe... Quase choca a realidade. Você leva a tranquilidade a bater na porta do coração desanimado. Esse alento revigora até os destroçados. Como viveriam os mortais sem ti?

Um dia na transição dos segundos acontece um torpor. Sem esperar num ato do cotidiano as coisas mostram-se como são. A reflexão te abraça forçando o olhar sobre você mesmo. O sagrado vira profano e então você duvida e lamenta. Amores são finitos, amigos se perdem na estrada, as boas ações esperam retribuição, nem tudo tem um propósito e o acaso existe. A praticidade das escolhas faz parte da lógica da vida, seu instinto te guia até a padaria da esquina, és um animal perdido que perambula pela vida como tantos outros. E você sonho existe para fazê-los crer que cada dia vale a pena paga, que o esforço não é em vão. Por isso você foi nomeado guia dentro da escuridão porque ninguém sabe o que há depois. E quiçá seja essa a fórmula deste jogo, o desconhecimento após cada ato. Não, não lastime nobre amigo. Ninguém te prometeu nada, nem disseram ser fácil seguir em frente. O acordado foi que mantivesse o ânimo independente dos reveses.

O sonho cansado já nem escutava a consciência. Rabiscava nuvens enchendo de luz as almas cansadas com um antídoto de fórmula boba retirado do seu jardim. O sonho gostava de cores, flores, do ar fresco, de tempo. Em seu laboratório manipulava sob sigilo a fórmula do que impulsionava e alimentava a semente da vida, o sonho criou o amor. Portanto, jamais poderia entender a consciência, pois a sua realidade era outra. 

Diálogo


Ela não cansava de reler o e-mail recebido e escutar a música do primeiro encontro.
Por que mesmo no século XXI as mulheres ainda precisam de um homem pra chamar de seu?
Ela estudou, viajou por diversos países, falava outros idiomas parecia bem resolvida. Até confidenciar a sua melhor amiga seu desejo profundo. A amiga passou a percebê-la de modo diferente após aquela conversa. O brilho da outra diminuiu sob seus olhos. Não, não poderia ser a velha Isa de outrora. Será que a cultura havia conseguido seu intento, como fizera com tantas outras?
O que Isa poderia ter revelado para estarrecer a tal ponto sua amiga? Ah, nunca antes quis tanto ser invisível!


Quem sou eu

Minha foto
Alguém interessada nos detalhes da vida, que está em busca de si, disposta a sentir a vibração do viver intensamente e se necessário for, brotar das entranhas da terra com a leveza da brisa. Sou mulher emanando a luz da doçura feminina.

Pétalas da Alma

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