sábado, 21 de junho de 2014

Ouvir é Doação

Deparei-me com um pouco de mim
Naquela outra contadora de histórias.
Ela mostrou-me cicatrizes 
Também sua casa depois da batalha
Meus olhos vidrados no seu olhar molhado
Pelo lamento do abandono, desconcertou-me
Aquela cena congelou 
Compondo parte do meu acervo pessoal de memórias ilustres
A nossa comunhão momentânea
Disse-me mais do que muitas horas de palavras amenas 
Sobre o tempo ou esmaltes da moda
Desassossego
Ouvir histórias é ser permissivo
Dar atenção ao que é dito é dar ouvidos a própria alma
As marcas permanecem 
Traz consigo sabedoria 
A contadora de histórias seguiu
Eu fiquei, mas algo em mim se foi
O que não significa perda, antes seja, mais uma transformação.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Coletivo Inusitado

Na sua viagem no túnel do tempo a nossa personagem surgiu num ônibus diferenciado, pois havia mesas com cadeiras, algo semelhante a um trailer. Os passageiros eram poucos, além da nossa personagem estavam na viagem uma mulher com uma criança (de mais ou menos 2 anos de idade) e o prefeito da cidade, vestido com uma camisa azul.  

A criança estava com fome, então o veículo se deslocou até uma estrada deserta de filme norte-americano, onde era feita uma parada para que a mãe cozinhasse algo, logo a cena assemelhava-se a uma lanchonete dentro do ônibus.  Todos os passageiros sentiam-se agraciados em presenciar a preparação do alimento, uma receita de macarrão, que tinha um aspecto bonito e parecia delicioso.

Apesar da fome ao longo da viagem, nossa personagem sentia-se enternecida com a vivência daquele instante compartilhada com a mulher mãe, a criança e o prefeito simpático.


Os encontros inusitados trazem oportunidades de cenas únicas nas relações humanas. A nossa personagem se permitiu estar na cena com seus sentidos aguçados sem entender o tempo, o lugar apenas entregue.

sonho; comida; ônibus;

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Contradição do Sentir

Ela sempre fora adepta da vida saudável. Não sabia ao certo se era pelo adestramento de sua educação ou por preocupar-se com o seu bem estar. Naquela manhã estranhamente, sim estranha, pois ela não sabia fumar. Acendeu um cigarro sentindo seu estresse esvair-se no ar em sua sala de aula. Seus ouvintes não apareciam neste breve filme do sonhar, no entanto, ela os percebia. Ela cismou sobre aquele prazer, supostamente, prejudicial.

Na sua inconstância, as cenas se alternam e surpreendem.


Era a Chapada, lugar mágico de beleza inconfundível. Ela estava em um lago e olhou ao seu redor maravilhada com a paisagem. Quando sem esperar contemplou a mutação da paisagem na sua casa, em bosques, jardins, florestas com a predominância da cor verde da vida traduzida em felicidade. Sentia-se dentro de um sonho bom, e era. Percebeu-se mais uma vez, dentro do lago, onde de maneira mágica nadou (em vigília seu medo não permitiria tal intento), sim, ela nadou deslizando rápido nas águas tranquilas, com o único pensamento, este é um instante de paz.

sonhar; sentir; espanto;

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tum Tum

O coração trafega curioso entre sentimentos
Sem tornar incômoda a inconstância de abrigá-lo.
Reveste de prazer o resumo das lições acumuladas.
A alma serena está no embate constante com esta inquietação
A curiosidade balizadora é cega, ele sempre aventureiro não recusa, se entrega.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Cismando em divagações.

A rotina

Ela teve um dia difícil, cobranças no emprego, a casa para arrumar, alguns textos para ler, um corpo para dar vida e uma vida para dar sentido.

Seu olhar permanecia pousado em alguma cena de seu passado, talvez, de sua infância
Estava pensativa, faceira, nutrida de paz.

O semblante de mulher na janela da condução
Fazia franzir cenho da menina assustada escondida nos gestos firmes.

Não era um dia comum. Um sonho lhe perturbou por toda a noite.

Ela era crédula dada ao sobrenatural, então aguardou a fatalidade.

Entre letras, obrigações e gentilezas necessárias no convívio social

Mal pode entorpecer-se  do ocorrido

Precisou gravemente afundar no cotidiano.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PRESSÁGIO

Não havia nenhum problema
No entanto, a conversa parecia distorcida
O encanto esvaiu, ou Maia, decidiu a minha vez de estar na realidade
Logo percebi o desencanto com humor
Era chegado o tempo do grito de liberdade dos contos de fadas
O beijo noturno me deu o chão firme
Sem adeus, lembranças e despedidas
A vida segue em buscar de sabores.
Com tropeços cruzamos os caminhos
Sem apelos construímos relações
Com silêncios mudamos, desatamos os nós.
O que foi é dissipado
O desconhecido contido no amanhã, este sim me instiga a continuar.