terça-feira, 14 de julho de 2009

Crepúsculo

O fim da tarde trazia os últimos raios
Calando as vozes do dia.
Absorvida pela beleza da cena
Não percebia o calor da hora
Afagar a pele.
Eu apenas existia!
O crepúsculo tornava brando
A inquietação.
O gosto de fel e o feitiço da imagem
Trouxeram-me a pergunta:
Por quê?
A minha alma convertia-se
Em várias mulheres habitando o corpo frágil.
Os ruídos urbanos eram imperceptíveis.
As tantas formas de mulher poderiam ser percebidas?
As cores do firmamento mudavam
Ofertando sensações longe do cotidiano.
As trevas do meu pensar resistiriam por quanto tempo?
O insondável permeava a transmutação do dia
Despedindo-se com um derradeiro vento.
Senti-me tocada.
O que mais poderia querer após os tormentos
Da labuta diária?
Os reflexos exterminavam a obscuridade
Lembrando o breve recomeçar.
E o que de tudo isso permaneceria?
Era o findar de uma bela tarde.

Um comentário:

o campo dos girassois disse...

O entardecer é uma metafóra de nossos trabalhos