quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Homem de ébano

A tua entrega arrebata minha presença,

Teu modo de alegria é cheio de mim,

Atraída pelo infinito piscar de teus olhos

Não consigo entender.


Homem de ébano

Rio que atravessa minha vida

E me sorri com inocência

Teu mistério me intriga.


Retraio-me diante de ti

Sob as vestes da deusa maia.

Minhas palavras deixam-te embevecido

Transformas-te ao meu lado,

E cismo no contínuo desacerto

Dos caprichos do amor,

Capaz de inundar o sonho e a vigília.


Eu perdida na existência,

Controversa no discurso,

Instável no romance,

Amada na quietude do teu consentimento.


Intriga-me a doçura masculina

Oferecida em gestos firmes,

O abandono de ti em meus braços

Solicita um desabafo de minha razão.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Poema 15



Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ,ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma,
emerges de las cosas llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza.
Déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.


Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.



Pablo Neruda
Vinte poemas de amor e uma canção desesperada

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Um sinal

A manhã fria desperta
Com uma brisa silenciosa.
É um êxtase ver o dia começar,
Nos pensamentos sem rédeas
Na tranqüilidade de quem contempla.
O silêncio que transita pelo burburinho
Que desperta em poucas horas.
A comunicação conflitante dos que tem pressa
E dizem sem pensar num desabafo.
No íntimo é o silêncio que diz com clareza,
A sua destreza em rabiscar seu intento não falha,
Suscita o desespero de quem espera ouvir ruído qualquer.
O silêncio impiedoso fala verdades cortantes
E emudece a voz atrevida do impulso.
É ele o é mensageiro do fim, na sala de espera.
Nunca ameno sempre enérgico.
O silêncio usurpa do olhar a esperança
Quando se materializa em desinteresse.
O silêncio choca quando revela o esquecimento,
E tortura quando é portador da recusa.
O silêncio é transparente em sua quietude.
Veste-se de paz na maturidade do amor,
E de carrasco com nervos rijos esconde o perdão.
É o silêncio quem nega o beijo de comunhão
E sela a angústia do desentendimento.
O silêncio é traiçoeiro, arquiteta suas metas sem compartilhá-las.
O silêncio perturbador fala alto, sem meias palavras.
É entendido por ser seguido por um nada devastador.
Quando a porta ninguém bate, nem o telefone toca,
Quando tudo emudece.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Paixão que queima


A leveza no trato
A fala singela
Torna sólido o efêmero.
O simples é algo difícil de entender
O óbvio se assemelha as armadilhas.
Não foi possível lapidar as regras
Dispensadas junto às armas
Quando eu só queria ser tua.
Como traduzir o que sinto,
Ou como tu me percebes?
Viver o inferno de minha paixão
Arder na ânsia dos teus braços
Era o meu jeito de tornar indizível tudo o mais
E afirmar a vida no meu corpo.
O caminho racional nem sempre traz prazer
O que é uma vida de obrigações?
A incerteza é uma boa opção
Tão pessoal quão maravilhoso é a ilusão.
O depois faz parte do amanhecer
A paixão solicita entrega sem pudor.
Antecipar os acontecimentos destrói
A química de estar apaixonada.
Quero apaixonar-me milhares de vezes,
E que cada uma seja singular
Por vezes oscilantes em sua maré
Ou intensas em tempestades.
Que venham e permita-me aproximar-me.



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um pedido


A imaginação faz uma longa viagem

De idas e voltas a lugar nenhum.

Consigo leva as idéias desconexas

Numa avalanche de palavras

Para esconder o grito preso.

A evolução das estranhas horas

Em dias comuns, tornou o ar pesado

Para o corpo que alerta as contradições,

Num misto de emoções

Dissolvidas no esquecimento.

Tempo, tempo, tempo

Varre o que restou para longe muito longe

Antes que a loucura se aposse deste ser.




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Numa Tarde



Debrucei-me na varanda como quem espera,
A porta estava entreaberta como sinal do meu estado interior.
Pensei naquele idílio, vendo-o como necessário.
(a palavra necessário não é romântica, mas apropriada)
Haviam pipas de variadas cores no céu,
Dançava cada qual o seu ritmo,
Num encontro e desencontro
Uniam-se ou separavam-se a ermo.
Tanto quanto homens e mulheres, meninos e meninas,
Famílias, pessoas levadas pelo engano.
De sobressalto ergui o olhar a porta, mas, aceitei a ausência
Pensando:
Quando voltar chegue sorrateiro, com um gesto de carinho
Não me dê explicações, nem pergunte como passei os dias
Não me declare amor eterno ou fiel.
Quando voltar venha em silêncio, com olhar terno.
Una nossos corpos num segundo de paz,
Acolha-me em teu peito.
Duas pipas se entrelaçaram caindo sob os festejos das crianças,
Telhados distantes as receberam.
Sorri da ironia, retornei a minha sala.
Antes, porém fechei a porta para prosseguir meus afazeres.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Uma nova cor



A primavera retorna
Com o seu colorido e perfume típico.
Contrasta com os semblantes acinzentados
Tão entregues a própria dor,
Incapazes de ver a beleza existente na tristeza.
A bandeira da culpa tremula
Para saciar essa verdade sombria.
Pobre palavra vazia
Festejada na lama pelos doentes da alma.
Criaturas controversas
Discursam contra seus atos
Oscilam entre os pólos, descuidadas.
Ah! Como pode alguém temer o brilho
Da primavera?
A vida floresce, convida a viver.
Pode-se permitir mais, condenar-se menos.
Sentir-se leve, mostrar-se simples.
Não julgar as possibilidades,
Vivenciá-las do próprio jeito
E ser mais de ti.