sábado, 22 de março de 2008

Flores

Há flores por onde quer
Que eu passe.
Delicadas
Submissas
Misteriosas
Como o gênero feminino?
Não, não há conflito
São apenas flores.
O sol o rio
As folhas secas
Despertam o devaneio
Convidando a entrega
Explodo em estilhaços coloridos
Retorno ao pó
Danço
Com a leve cadência do vento
Embalada
As ruas são trilhas
As luzes guias
As pessoas
Parte da máquina da natureza.
Brota o sorriso tímido
Firme na descoberta
Deleitoso em ser....

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Luz

Paira sobre as águas um encanto
Transmutado em cada pôr do sol
Cheio de candura
Unido ao embalo das ondas
Reluzindo os vestígios de paz
Traduzindo o peso da jornada
Mantendo o sorriso
Através do desabrochar as flores

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Paixão

A paixão que aquece o peito
Comunga o misto
De amargura e alegria.
Pareço rendida?
Mas relutar traz angústia,
O curso da vida é breve
Quando visto com brandura.
Escravidão?
Apenas a entrega à emoção
Que purifica o trabalho árduo.
Sem norte,
Dar sentido ao que parece impossível.
Romântica?
Mas também carnal
Devasta crenças.
Insana?
Vive o que quer.
Felicidade?
Há de ser experimentada.
Paixão que exalta e exulta
Desconhece a rotina
Sendo sempre menina.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Descoberta

Hoje me encontrei
Morena
Linda
Pequena
Serena
Com o olhar doce
De quem se deleita com o próprio ato
De viver
Liberta apenas indo em frente
Cheia de paz como nunca acreditei
Ciente do que me envolve
Entregue aos desejos
Sendo mulher
Bendizendo o passado sem projetar o futuro
Sentido o frescor da vida
Beijar-me a face
Embalar-me sem direção
Passo a passo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Resgate




Há um resgate a ser feito da palavra domada
Pela timidez da menina entre as letras.
A mulher morena libertou a menina
Ela tenta expor seu olhar para a vida
Exibe sua paixão entranhada na sua energia de viver
Talhando seu intento.
Seria possível esquecê-lo, ou, mesmo não tê-lo?
Quem fará o resgate?
Há uma movimentação na rua
Conspirando para o projeto da vida!
Igrejas escolas vizinhanças
Árvores entre uma quadra e outra
Correria diária
O olhar que insiste em descobrir uma história
Caminhando lentamente acolhe esse projeto.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Partida

É pena você ter que ir tão cedo
Tínhamos muito por fazer
Nada foi delimitado
Por isso as portas e as janelas
Foram retiradas
As forças guias são desiguais
Tornando a partida um fato
Sei, sua trilha é longa.
Traçada com dificuldade
Para perder-se ou mesmo esquecer-se
De quem és
Se for preciso vá
Leve consigo um lamento abafado
E ao contemplar o pôr- do -sol
Reconheça nele nosso elo
E no barulho das ondas
Nossa música.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Urbano

O canto dos pássaros
Concorrem com as buzinas dos carros
As luzes ofuscam
Comprometendo as idéias
A sedução urbana
Serpenteia por toda parte
Afastando os pés descalços da terra
Do viver simples.
Andarilhos incansáveis
Cruzam seus caminhos
Apressados para chegar
Em nenhum lugar
Por que se destroem a cada dia
Tentam construir a compensação
O vazio nunca preenchido
Evidencia a impossibilidade do retorno.