quinta-feira, 18 de setembro de 2008


Deserto

A nossa distância é traída
A união acontece em um desejo
Cego faminto de vida
As tragédias ou os clamores
Não chegam até nós
Estamos fadigados de tudo
Cada suspiro
Representa uma vitória
Comer beber decidir
Não é um ato vão
Viemos de tão longe
Do lugar onde o passado não se deixa recordar
Daqui o futuro não se deixa desvendar
Penso, se tu estás comigo
Ou se deliro acordada
Naquela calmaria mortificante em que me encontrastes
Havia desistido até de mim
E podia ver o mundo congelado
O frio percorre o meu corpo
Então sei que sonho no repouso finito
E a imagem que a mim se apresenta
É alucinação refletida no meu deserto
Calo te vendo sem conseguir senti-lo.

Defeitos

Paira sobre ela uma sombra
Sem misericórdia,
Ela conhece seus defeitos.
Atordoada com a luz ofuscante
Sente a pele queimar de pé
Diante do seu algoz.
Ela conhece os seus defeitos
Não se entrega,
Resta-lhe um pouco de fé,
Fé nas suas idéias.
Um labirinto longo
Tenta tirar suas forças.
Ela conhece os seus defeitos
Nas noites dos seus dias,
Os dias mais breves
Secos sem cores.
Ela conhece os seus defeitos
Cambaleia,
Segue em frente.
Até descobrir-se da sombra
De frente pra ela cresce
Ela conhece os seus defeitos
E resiste.

Coisa

Arranha - céus
Música estridente
Energia vital espalhada
Por todos os lados
E alguma coisa corrói
Sem pesar
Com intuito devastador.
O que é isso?
Sinto-o tão próximo
Mesmo com um fio de força
Estremeço
Ao contemplar os seus olhos
Não permitindo o fim.

sábado, 22 de março de 2008

Flores

Há flores por onde quer
Que eu passe.
Delicadas
Submissas
Misteriosas
Como o gênero feminino?
Não, não há conflito
São apenas flores.
O sol o rio
As folhas secas
Despertam o devaneio
Convidando a entrega
Explodo em estilhaços coloridos
Retorno ao pó
Danço
Com a leve cadência do vento
Embalada
As ruas são trilhas
As luzes guias
As pessoas
Parte da máquina da natureza.
Brota o sorriso tímido
Firme na descoberta
Deleitoso em ser....