sábado, 28 de maio de 2011

Leitura e Distração

A casa era grande, mas havia algo dela por todo canto. Naquela tarde de uma temperatura amena como seu humor, entregou-se a si. Entorpecida em seus pensamentos, também recordou.
Era uma comunicação velada: a pele, o cheiro, o hálito! Sempre fora mulher de entrega, no entanto fora aquela noite especial. Sempre contida, um toque de aspereza era perceptível no trato com o sexo oposto. Apenas era o muro que a protegia do medo do universo desconhecido, e ela bem o sabia. Poucos homens a atraíram ao longo de sua jornada. Até o presente instante, em que se despia não só das roupas, mas de sua armadura contra o mundo. Quando se permitiu sustentar olho no olho contando de si, traduzindo o outro. Num abraço acariciou, deslizou a mão pelo peito, tocou-lhe o pescoço entregando-se ao beijo- momento de supressão do tempo. Uma fêmea acordava da hibernação. Ela o guiou saboreando cada carícia. Explorou imaginação e descoberta. Os dois corpos disseram-se tudo sem palavras, entre suspiros e gemidos. Com o aperto das mãos. Ele foi fundo. Ela estremeceu. Juntos ofegantes desabaram de um diálogo quente, vivo. Por um momento ainda na exaustão do ato ela tentou pensar sobre o acontecido, todavia só era possível sentir. E agora no sofá da grande sala ao relembrar seu corpo reagiu. Ela sentiu-se mulher, retomando a leitura.

10/03/2010

3 comentários:

Pasta Eletronica disse...

Muito muito bom adorei seu texto

Marcinha disse...

Marcinha ficou fascinada com escrita de tanta belesa

Marcinha disse...

És uma pessoa maravilhosa, desejo-te um excelente e feliz dia